
- Você é muito preguiçosa.
Ele disse enquanto ainda estavam deitados na enorme cama, meio embolados em lençóis meio abraçados. Ela riu levemente e se aconchegou ainda mais nos braços dele. Não adiantava mais negar sua extrema má vontade para sair da cama naquele dia. Ali estava tão confortável e não havia nada a ser feito de importante.
- Você fica me chamando de preguiçosa mas ainda não fez nenhum movimento para sair da cama, também. - Ela retrucou apoiando-se nos cotovelos e levantando o rosto para ele. – E não precisamos fazer nada até a hora da festa. Por que eu saíria daqui para não fazer nada em outro lugar?
- Desse jeito você vai acabar me convencendo.
Ele respondeu rindo e segurando o rosto dela delicadamente entre as mãos. Com o polegar, sentiu a maciez de sua pele, deslizando levemente até chegar aos lábios entreabertos. Ela se inclinou, encostando suavemente seus lábios nos dele.
- Você tem razão. Ficaremos aqui a tarde inteira até você enjoar de mim e praticamente implorar para sair daqui.
Ele decretou a abraçando mais forte e a trazendo mais para perto. Ela relaxou ao lado dele e voltou a deitar, virando de barriga para cima e encarando o teto como se conseguisse ver o céu através do concreto.
- Por que eu não posso simplesmente parar o tempo e não precisar me preocupar com mais nada?
We got the afternoon
You got this room for two
One thing I’ve left to do
Discover me
Discovering you
One mile to every inch of
Your skin like porcelain
One pair of candy lips and
Your bubblegum tongue
- Pare de se preocupar. Aproveite o tempo que você tem de folga ou terei que distrair você de outra forma.
Ele disse ameaçando fazer coceguinhas nas costelas dela, que logo se retesou para longe, encolhendo-se toda. Quando o esperado ataque não chegou, ela levantou o rosto do travesseiro e olhou por entre fios de cabelo teimosos o que o impedia de avançar.
- Você fica a coisa mais linda fugindo de mim desse jeito. Até parece que eu realmente faria qualquer coisa com você que não fosse inofensiva.
- Cócegas não são inofensivas para você, mas são um atentado a minha vida.
Ela reclamou emburrando-se e voltando para perto dele, que riu e voltou a abraçá-la e desenhar distraidamente com o dedo nas costas nuas dela.
- Sei que você gosta da quietude, mas podiamos ligar uma música, pelo menos? – ele pediu olhando em volta – o controle do som está ali na mesinha de cabeceira. – completou apontando com o queixo para o pequeno retângulo branco.
- Tudo bem… – ela concordou resignada enquanto rolava até a mesinha e ligava o som.
Uma música começou a tocar baixinha, quase irreconhecível e ela voltou engatinhando até o emaranhado que era se espaço na cama e voltar a afundar por entre os lençóis.
- Hun, sabe que eu estou com uma dorzinha chata aqui na coluna…- ele voltou a comentar enquanto se ajeitava na cama.
- O que você quer com esse comentário inocente? – ela perguntou deitada de bruços e prendendo o cabelo em um coque improvisado.
- Não quero nada… – ele respondeu pouco convincente. – Quem sabe um pouco de carinho, ou uma massagem, se alguma alma caridosa se oferecer…
Ela riu abertamente da cara de pau dele e sentou-se na cama, pedindo resignadamente que ele deitasse de bruços. Feliz, ele obedeceu e sentiu as pequenas mãos começarem a deslizar para cima e para baixo, apertando, amolecendo os músculos já relaxados dele.
And if you want love
We’ll make it
Swim in a deep sea
Of blankets
Take all your big plans
And break ‘em
This is bound to be awhile
Your body is a wonderland
Your body is a wonder (I’ll use my hands)
Your body is a wonderland
Something ‘bout the way the hair falls in your face
I love the shape you take when crawling towards the pillowcase
You tell me where to go and
Though I might leave to find it
I’ll never let your head hit the bed
Without my hand behind it
- Já chega, não vou mais abusar de você. – ele disse depois de cinco minutos segurando a mão dela quando estava em seu ombro e beijando as palmas de suas mãos. – Muito obrigado pela sua solicitude.
Menos de cinco minutos depois, o despertador programado do celular começou a tocar e ela resmungou amaldiçoando o tempo. Já era hora de saírem da cama e começarem a se arrumar para a festa.
- E o tempo não pára para ninguém… – ela ironizou levantando-se a contragosto.
Ele foi para o banho primeiro e arrumou-se em poucos minutos, sentando-se emu ma poltrona para esperar por ela, que andava por todo o quarto, às vezes cantando com a música, enquanto colocava brincos, maquiagem, perfume, os saltos.
- Por que você fica tão bonita para os outros? – ele perguntou enquanto se levantava para encontrá-la na porta. – Assim vão ficar olhando a noite inteira para você.
- Não me arrumo para os outros. – ela retrucou sem esconder um sorriso. – e o único olhar que importa é o seu.
E apagou a luz.
Damn baby
You frustrate me
I know you’re mine all mine all mine
But you look so good it hurts sometimes
Your body is a wonderland
Your body is a wonder(I’ll use my hands)
Your body is a wonderland
Your body is a wonderland